Marcos Cesar de Toledo

 

A DURA TAREFA DE IR AO BANHEIRO


A DURA TAREFA DE IR AO BANHEIRO

Minha mãe ficava histérica com os banheiros públicos.
Quando pequena, me levava ao banheiro, me ensinava a limpar a tampa do vaso com papel higiênico e cobrir cuidadosamente com tiras de papel toda a borda.
Finalmente me instruía: - "Nunca, NUNCA mesmo! Se sente em um banheiro publico sem fazer o que lhe ensinei".
Não se cansava de mostrar-me "A posição", que consistia em me equilibrar sobre o vaso em uma posição de sentar sem que o corpo entrasse em contato com o vaso.
Isso que ela falava foi há muito tempo, mas ainda hoje em minha idade adulta, "essa posição" é dolorosamente difícil de manter quando a bexiga está quase estourando.
Quando tenho "que ir" a um banheiro público, sempre encontro uma fila
de mulheres que me faz pensar que a cueca de algum famoso está à venda pela
metade do preço. E assim espero pacientemente e sorrio amavelmente às outras
mulheres que também estão discretamente cruzando as pernas.
Finalmente quando chega a minha vez, olho cada cubículo por baixo da porta para ver se não há pernas. E, todos estão ocupados, mas finalmente uma porta se abre e entro quase trombando na pessoa que está saindo.
Entro e percebo que o trinco não funciona, mas o que importa isso neste momento crucial de desespero...
Penso em pendurar a bolsa no gancho que tem atrás da porta, mas nesta não há gancho.
Penduro no pescoço mesmo! Enquanto me equilibro no vaso.
A alça da bolsa fica cortando minha nuca, porque está cheia de porcarias que fui jogando dentro, das quais não uso a maioria, mas as tenho ali, para o caso de "e se eu precisar?"
Mas, voltando à porta... Como não tinha trinco só me restou a opção de
segurá-la com uma das mãos, enquanto com a outra mão abaixei a calcinha e fico "naquela posição" ridícula sobre o vaso... Mas, que Alívio... Ahhhhhh... Aí! Minhas pernas começam a relaxar deu vontade sentar, mas não tive tempo de limpar o vaso e nem cobrir com papel como mamãe me ensinou, nessa hora quase tive um treco de tão aliviada que estava, ai dei uma desequilibradinha e errei a mira do vaso.
Pronto, foi suficiente para ficar molhada até as meias, e é óbvio que dava para notar.
Para afastar o pensamento dessa desgraça, procurei o rolo de papel
higiênico... Maaaas.. Hehehe, o rolo estava vazio! Minhas pernas continuavam querendo relaxar.
Foi quando me lembrei de um pedacinho de papel que estava no fundo da bolsa, meio usado porque limpei o nariz com ele ontem, mas vai ter que servir esse mesmo, amassei-o para absorver o máximo possível, mas ele era muito pequeno,
e ainda estava sujo de meleca.
Nisso alguém empurra a porta e, como o trinco não funcionava, recebi
uma baita portada na cabeça. Aí gritei "tem genteeeeee" enquanto continuava empurrando a porta com a mão que estava livre e o pedacinho de papel que tinha na mão cai exatamente em uma pequena poça que tinha no chão e não sabia
se era água ou xixi...
Foi quando me desequilibrei e cai sentada no vaso. Levantei-me rapidamente, mas já era tarde, meu traseiro já havia entrado em contato com todos os germes e formas de vida daquele troço chamado vaso, sabe porque? + porque não o cobri com papel higiênico antes, que de qualquer maneira não havia no banheiro, mesmo se tivesse tido tempo de fazer isso.
Sem contar o golpe na cabeça, o quase corte na nuca pela alça da bolsa,
a espirrada de xixi nas pernas e nas meias, que ainda estavam molhadas...
A lembrança da minha mãe que estaria terrivelmente envergonhada de mim, porque o traseiro dela nunca sequer tocou o assento de um banheiro público, porque, francamente, "você não sabe que tipo de doença poderia pegar ali".
Mas a aventura não terminou ai...
Agora a descarga do banheiro, que estava tão desregulada que jorrou água como se fosse uma fonte e mandou tudo para o esgoto com tanta força que tive que me segurar no porta-papel com medo daquele negócio me levar junto para China.
Ai é finalmente quanto me rendi, estava ensopada pela água que saiu da privada como uma fonte. Estava exausta. Tentei me limpar com uns papeizinhos de chiclete Trident que estavam na bolsa e depois sai discretamente para a pia.
Não sabia muito bem como funcionavam as torneiras automáticas também, e então dei uma limpadinha nas mãos com saliva mesmo e sequei com toalha de papel.
Saí passando pela fila de mulheres que ainda estavam esperando com as pernas cruzadas e nesse momento fui incapaz de sorrir cortesmente.
Uma alma caridosa no fim da fila me disse que estava com um pedaço de papel
higiênico do tamanho do rio Amazonas grudado no sapato!
Puxei o papel do sapato e joguei na mão da mulher que me avisou e lhe disse suavemente: - "Toma! Você vai precisar!" e sai.
Nesse momento, meu namorado que entrou, usou e saiu do banheiro
masculino e teve tempo de sobra para ler uma coletânea inteira de contos rápidos do Marcos Toledo, enquanto me esperava, pergunta: - "Porque você demorou tanto?"
Foi nessa hora que dei um chute no saco dele e o mandei para aquele lugar que termina com iu!
AMEM
Marcos Toledo

Em 22/07/2019 às 11:53:13

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